Essa é uma das perguntas mais frequentes de diretores e sócios de empresas de médio porte — e uma das mais mal respondidas. A resposta honesta começa com uma correção: não existe um número único, porque "equipe mínima" significa coisas muito diferentes dependendo do que se espera dela. Uma equipe que faz gestão de acessos e responde a auditorias custa uma fração de uma equipe que monitora a rede 24 horas por dia.
Este artigo faz a conta aberta, com faixas salariais de mercado de 2026, encargos, ferramentas e os custos que quase nunca entram na planilha. E, ao final, compara com o modelo híbrido que hoje predomina no médio porte brasileiro.
Primeiro: defina o que a equipe precisa entregar
Segurança cibernética não é uma função só. São quatro blocos com naturezas — e custos — completamente diferentes:
- Liderança e governança — estratégia, priorização, gestão de riscos, política, reporte à diretoria, resposta a auditorias e a questionários de clientes.
- Monitoramento e resposta a incidentes — vigilância contínua, triagem de alertas, contenção. Exige cobertura 24x7.
- Projetos e avaliações — diagnósticos de maturidade, adequação a normas, testes de invasão, implantação de controles. Trabalho por escopo e prazo.
- Administração de ferramentas e rotinas — identidades e acessos, atualizações, backup, configuração. Rotina diária, integrada à TI.
O custo da equipe muda por um fator de cinco ou mais dependendo de quais desses blocos você decidir internalizar. Quem responde "quanto custa uma equipe mínima?" sem antes responder "mínima para quê?" está chutando.
A base de cálculo: salário não é custo
O Guia Salarial 2026 da Robert Half traz as seguintes faixas para segurança da informação no Brasil, apresentadas nos percentis 25 | 50 | 75:
- Analista de Segurança da Informação Júnior — R$ 6.200 | R$ 8.100 | R$ 10.400
- Analista de Segurança da Informação Pleno — R$ 8.500 | R$ 11.150 | R$ 14.300
- Analista de Segurança da Informação Sênior — R$ 11.300 | R$ 14.750 | R$ 19.000
- Coordenador(a) de Segurança da Informação — R$ 18.000 | R$ 20.800 | R$ 24.650
Esses são valores de salário bruto mensal. O custo real para a empresa é maior. Para companhias fora do Simples Nacional, os encargos incluem INSS patronal (20%), RAT (1% a 3% conforme o CNAE), contribuições a terceiros e Sistema S (cerca de 5,8%) e FGTS (8%), além de 13º, férias com um terço, vale-refeição, vale-transporte, plano de saúde e demais benefícios.
A regra prática consolidada por consultorias trabalhistas é que o custo total de um empregado CLT equivale a algo entre 1,7 e 2,0 vezes o salário bruto. Neste artigo, usamos o fator conservador de 1,8x. É o número que deve entrar na planilha da diretoria — não o salário anunciado na vaga.
Cenário A: equipe mínima sem monitoramento 24x7
Este é o arranjo mais comum quando a empresa decide estruturar segurança internamente, mas contrata o monitoramento contínuo como serviço. A composição mínima crível:
- 1 coordenador(a) de segurança da informação — R$ 20.800
- 1 analista pleno — R$ 11.150
- 1 analista júnior — R$ 8.100
Total de salários brutos: R$ 40.050 por mês. Aplicando o fator de 1,8x, o custo mensal fica em torno de R$ 72 mil, ou aproximadamente R$ 865 mil por ano apenas em pessoas.
Essa equipe consegue sustentar governança, gestão de acessos, gestão de vulnerabilidades, condução de projetos e interlocução com auditoria e clientes. Não consegue — e não deve prometer — cobertura noturna, de fins de semana e feriados.
Cenário B: equipe mínima com SOC interno 24x7
Aqui a conta muda de patamar, e não por capricho: é aritmética de escala de turno. Referências de mercado convergem que cobrir 24 horas por dia, 365 dias por ano, exige de quatro a cinco profissionais por posto, considerando férias, faltas, folgas e feriados. Com redundância mínima para escalonamento, um SOC interno viável exige tipicamente de 8 a 12 pessoas: cinco a seis analistas de primeiro nível, dois a três de segundo nível, um de terceiro nível ou caçador de ameaças e um coordenador.
Usando a configuração mínima de 9 pessoas e as medianas da Robert Half — 5 júniores, 2 plenos, 1 sênior e 1 coordenador —, o total de salários brutos chega a cerca de R$ 98,4 mil por mês. Com o fator de 1,8x, o custo mensal aproxima-se de R$ 177 mil, ou cerca de R$ 2,1 milhões por ano. E isso ainda subestima o número: turnos noturnos implicam adicional noturno e, na prática, prêmios salariais para atrair e reter profissionais dispostos a trabalhar de madrugada.
As referências internacionais confirmam a ordem de grandeza. Estimativas de mercado situam o custo anual de um SOC interno mínimo viável entre US$ 1,5 milhão e US$ 2,9 milhões, considerando pessoal, ferramentas e overhead, com prazo de 6 a 18 meses até a capacidade operacional plena.
As ferramentas: o segundo orçamento
Equipe sem ferramenta não entrega, e ferramenta sem equipe não é operada. Uma pilha mínima para uma empresa de médio porte normalmente inclui proteção de endpoint (EDR), autenticação multifator e gestão de identidades, segurança de e-mail, gestão de vulnerabilidades, backup imutável e alguma capacidade de coleta e correlação de logs.
O valor varia muito com o número de endpoints, usuários e servidores, e por isso qualquer número fechado aqui seria irresponsável. O que se pode afirmar com base em referências de mercado é que, em operações de grande porte, a camada tecnológica de um SOC — SIEM, EDR, inteligência de ameaças, orquestração e gestão de casos — costuma custar de centenas de milhares a mais de um milhão de dólares por ano. Para o médio porte, a proporção é a informação útil: a Gartner projeta gastos globais com segurança da informação de US$ 244,2 bilhões em 2026, alta de 13,3%, e referências de planejamento situam o orçamento de segurança entre 8% e 12% do orçamento total de TI.
Os custos que ninguém coloca na planilha
A conta de salário e encargos é a parte fácil. O que costuma estourar o orçamento é o que vem depois:
- Recrutamento e tempo de vaga aberta. Posições de segurança demoram a ser preenchidas, e a vaga aberta é risco não coberto.
- Rampa de produtividade. Um analista contratado leva meses até conhecer o ambiente e operar com autonomia.
- Treinamento e certificações. Área que exige atualização contínua; sem investimento, a equipe perde eficácia e o profissional busca outra empresa.
- Rotatividade. Segurança é um mercado aquecido. Perder um sênior significa recomeçar recrutamento, rampa e conhecimento acumulado.
- Concentração de conhecimento. Em equipes pequenas, a saída de uma pessoa pode paralisar a operação de segurança — o chamado risco de pessoa única.
- Cobertura de férias e afastamentos. Com três pessoas, um mês de férias significa perder um terço da capacidade.
O Cybersecurity Workforce Study 2025 da ISC2 dá dimensão ao problema: 95% dos respondentes relataram ao menos uma lacuna de competências em suas equipes, 59% classificaram essas lacunas como críticas ou significativas — contra 44% no ano anterior — e 88% das organizações enfrentaram incidentes de segurança relacionados a essas lacunas. O estudo aponta ainda que 36% relataram cortes de orçamento. Em outras palavras: contratar mais gente deixou de ser a resposta; ter as competências certas passou a ser o gargalo.
CISO as a Service
Em vez de contratar um executivo em tempo integral, a Cibersec entrega liderança de segurança — estratégia, priorização, gestão de riscos e reporte à diretoria — como serviço, com custo previsível e sem os riscos de rotatividade de uma contratação direta.
Conheça o serviço de CISO as a Service →O modelo híbrido: a conta que o médio porte costuma fazer
Diante desses números, a configuração que hoje predomina em empresas de médio porte no Brasil combina quatro elementos:
- Liderança de segurança contratada como serviço (CISO as a Service), com patrocínio executivo interno definido.
- Monitoramento e resposta 24x7 contratados como serviço gerenciado (MDR ou SOC as a Service), com SLAs de detecção, contenção e comunicação em contrato.
- Avaliações, diagnósticos e testes conduzidos por consultoria independente, em ciclos definidos.
- Administração de identidades, atualizações, backup e configuração mantida na equipe interna de TI, sob processos definidos pela governança de segurança.
Esse arranjo entrega cobertura completa — inclusive de madrugada — sem exigir a construção de uma estrutura de 9 a 12 pessoas que a maioria das empresas não conseguiria contratar nem reter. Referências de mercado são consistentes ao apontar que, para organizações de médio porte, contratar cobertura por meio de MDR parte de uma base de custo significativamente inferior à de construir uma operação interna equivalente, com tempo até a cobertura efetiva medido em semanas, e não em 6 a 18 meses. Essa é justamente a discussão aprofundada em quando terceirizar segurança e quando internalizar.
Há uma vantagem menos óbvia e igualmente relevante: o contrato transfere o risco de rotatividade. Se o analista do fornecedor sai, o problema é do fornecedor.
Quando internalizar faz sentido
O modelo híbrido não é resposta universal. Internalizar mais tende a se justificar quando:
- Há exigência regulatória ou contratual explícita de operação própria.
- O volume e a criticidade das operações justificam dedicação integral — tipicamente a partir de determinado porte e complexidade de ambiente.
- O ambiente é altamente específico, com sistemas proprietários que um terceiro levaria tempo demais para dominar.
- A empresa já tem massa crítica de TI capaz de absorver e supervisionar a função com qualidade.
Independentemente do modelo escolhido, três responsabilidades permanecem obrigatoriamente internas: a prestação de contas perante a LGPD, reguladores, clientes e o conselho; a decisão sobre apetite a risco; e a gestão do próprio contrato com o fornecedor. Terceirizar a execução é legítimo; terceirizar a responsabilidade não é possível.
Como responder à pergunta na sua empresa
Um roteiro objetivo para chegar ao número certo — o seu, não o do artigo:
- Faça a avaliação de maturidade. Ela mostra quais capacidades faltam de fato, com base em NIST CSF 2.0 e CIS Controls v8.1.
- Separe as capacidades nos quatro blocos apresentados no início deste texto.
- Para cada bloco, calcule o custo interno total — salário multiplicado por 1,8, mais ferramentas, treinamento e cobertura de ausências.
- Compare com a proposta de mercado equivalente, exigindo escopo e SLAs descritos em contrato, não em apresentação comercial.
- Decida bloco a bloco. Quase sempre a resposta certa é mista.
Vale também entender o perfil de cada profissional envolvido nessa conta — veja analista, consultor ou especialista: qual profissional sua empresa precisa.
Se a sua empresa está tentando decidir entre montar uma equipe e contratar capacidade, o ponto de partida é o diagnóstico de maturidade: ele mostra, com dados, quais capacidades realmente faltam — e evita pagar por uma estrutura maior do que o risco justifica.
Fontes consultadas: Robert Half — Guia Salarial 2026, seção de Tecnologia, faixas de Segurança da Informação no Brasil (roberthalf.com/br). Referências de cálculo de encargos trabalhistas CLT e fator de custo total do empregado para empresas fora do Simples Nacional (INSS patronal, RAT, terceiros/Sistema S e FGTS). ISC2 — 2025 Cybersecurity Workforce Study (isc2.org). Gartner — previsão de gastos mundiais com segurança da informação para 2026 (gartner.com). Referências de mercado sobre dimensionamento e custo de SOC 24x7 e comparação com MDR (Expel, Blackpoint Cyber, Graylog). IBM Security / Ponemon Institute — Cost of a Data Breach Report 2025, recorte Brasil (ibm.com). Sophos — The State of Ransomware 2025 (sophos.com). NIST — Cybersecurity Framework 2.0, CSWP 29 (nist.gov). Center for Internet Security — CIS Critical Security Controls v8.1 (cisecurity.org).